Há quanto tempo não venho contar minhas desventuras por esses lados. Muito tempo sem inspiração e sem “causos” para contar, porém fui “agraciado” na última terça-feira(Dia 07/10) com uma viagem infernal através do microcosmos que é uma comunidade carente.
Terça-feira de tarde, um Geek prostra-se em um banco de uma sala de espera vazia em um posto de saúde, seus únicos aliados nesta batalha já perdida são um PDA “Highlander”, um cartão SD lotado de episódios e um headphone que o mantém afastado da dura realidade que o cerca.
Após 2 horas de séries, risadas e muita reflexão geek, minha querida mãe atravessa o átrio rapidamente e por cima do ombro diz:
“Pegue suas coisas, precisamos ir até o outro posto pegar algumas informações que estão faltando.”
Sinto-me imerso em um universo RPG mesclado com Starship Troopers e rapidamente sou confrontado com a realidade, entrar em uma comunidade carente, chefiada por milicianos, sem nenhum apóio tático nem possibilidade de resgate por parte de uma equipe da SWAT. Entre outras palavras, eu ia subir o morro com o c* fechado sem passar nem ar. Não podia deixar minha mãe sozinha adentrar a comunidade carente, apesar dela ser conhecida por todos da região graças ao trabalho que ela realiza junto a comunidade.
Após munir-me com alguns chocolates(energia é fundamental em horas de perigo), uma garrafa d’água e guardar bem meu PDA, começamos a incursão à comunidade carente. Nesse momento, uma profusão de cheiros característicos e únicos invadem minhas narinas e sou obrigado a cair na realidade e mais uma vez amaldiçoar o dia em que comecei a freqüentar o posto de saúde onde mamãe trabalha.
O quê eram minutos para mamãe e o resto da equipe, arrastaram-se como horas para mim. Adentrar uma comunidade carente não é simplesmente chegar, entrar e ir até o ponto que você quer. Você precisa de permissão, independente de quem está controlando a região, sejam milicianos, narcotraficantes e afins. Senão estiver acompanhado, podes virar presa fácil na mão desses insubordinados.
Mais alguns minutos de caminhada, chegamos até o posto avançado dentro da comunidade. Minha mãe acenou para alguns transeuntes e uma moça destacou-se na multidão, veio até minha mãe e começou a conversar, captei alguns fragmentos da conversa, onde pude constatar que a tal moça tinha aberto um salão de cabeleireiro, ou como ela gosta de dizer, um Salon Coiffeur. Para segurar o riso e não começar a gargalhar no meio da favela comunidade carente, começo a observar aquele cenário pitoresco com mais calma, e como bom nerd, avistei uma lan house.
Infelizmente não pude apreciar essa visão magnífica de internet a preço baixo, pois sou rapidamente retirado do “transe” pela frase, “Meu filho vai cortar o cabelo com você, ele tá com o cabelo muito grande”. Viro consternado para uma mulher que deu-me a luz e no momento atual, joga-me aos leões.
Sem escolha, sou conduzido ao salão, aonde veria meu cabelo ser tosquiado por uma profissional mal capacitada e adquiria um visual totalmente fodido, o quê irá acabar ainda mais com minha imagem geek misantropo. :S
Não há muito o quê falar, 40 minutos ou mais de uma tortura agonizante, 20 reais jogados no lixo e um pedaço do cabelo maior que o outro. :S Mais uma vez amaldiçôo o dia em que decidi adentrar a comunidade carente e começo a maquinar planos maléficos de destruição e conquista em massa . Volto para casa com a moral visivelmente abalada e penso em “n” formas de tornar esse tormento menos terrível até meu cabelo crescer novamente.